A APARU do Jequiá e a Vila Olímpica da Ilha do Governador

Vila Olímpica III

A Prefeitura do Rio retomou definitivamente as obras de construção da Vila Olímpica da Ilha do Governador, escolhida para ficar dentro de uma unidade de conservação ambiental, a APARU (Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana) do Jequiá. Após alguns meses paralisada, agentes da prefeitura reiniciaram as atividades de demolição de árvores – muitas delas de Mata Atlântica – para a construção do complexo esportivo. Esse fato tem colocado parte da população insulana contra o governo municipal, que assim como no caso do Terminal Pesqueiro da Ribeira, criou um movimento, chamado de “Vila Olímpica na Ilha, sim! Na APARU do Jequiá, não!”, e aos poucos vem realizando mobilizações, sobretudo por meio das redes sociais. No Facebook, já existe uma comunidade com 358 membros (confira). Além disso, um abaixo-assinado online recolhe assinaturas daqueles que são contra a devastação da natureza para a construção da vila (assine).

Configura-se em torno dessa questão, mais uma vez, o despreparo dos agentes públicos quanto a concretização de suas políticas públicas. A ideia das Vilas Olímpicas é sensacional! É uma proposta de aproximação das camadas mais pobres da população aos esportes. E não só como um benefício à saúde, mas também como um instrumento promotor de educação, disciplina, cidadania etc. Essa era a intenção do ex-prefeito Cesar Maia (DEM) quando iniciou a construção das vilas por toda cidade. E com o advento das Olimpíadas de 2016, esse equipamento torna-se ainda mais importante. Mas isso tudo não justifica e nem valida o atropelo das leis para a constituição dessa proposta. E é justamente isso que está ocorrendo na Estrada do Rio Jequiá. A prefeitura do Rio está descumprindo as determinações do decreto de criação da APARU (Decreto n° 12.250 de 31 de agosto de 1993), decreto este criado pelo então prefeito Cesar Maia, que, entre as muitas obrigações, está a de que “na Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana  (…) não serão permitidas ações degradantes ou impactantes ao ecossistema, tais como: I – retirada, corte ou extração da cobertura vegetal existente (…), IV – obras de saneamento e de engenharia civil (…), e VII novas edificações (…)”.  E, ao contrário, a prefeitura está fazendo tudo isso!

334629_289940531045354_100000882284371_785771_948493021_oO atual prefeito Eduardo Paes (PMDB) deveria saber que está cometendo um verdadeiro desastre ambiental ao insistir na construção da Vila Olímpica dentro de uma área de proteção ambiental. Existem outros terrenos na Ilha que podem receber esse investimento sem precisar degradar o meio ambiente. Bastaria ter paciência e planejamento para escolher outro local. Mas a proximidade das eleições parece jogar contra nesse momento.

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6 Comentários em A APARU do Jequiá e a Vila Olímpica da Ilha do Governador

Sou mais Freixo
15/12/2011

vilas olímpicas da Cidade do Rio não são boas fecham qualquer dia de uma semana de tarde e tem um dia que nem abre assim a maioria não desfruta é propaganda para aparecer na tv

clelia louro
15/12/2011

SABADO ESTAREMOS NA FEIRA DA RIBEIRA E DOMNIGO NA EIRA DO CACUIA PASSANDO O ABAIXO-ASSINADO. VENHAM E AJUDEM, VC É MUITO IMPORTANTE NESSA LUTA!! QUEREMOS UMA VILA OLIMPICA NA ILHA SIM!! MAS NAO QUEREMOS QUE DESTRUAM A APARU DO JEQUIÁ!! https://www.facebook.com/groups/315229061840151/

Helena Soares
17/12/2011

Essa discussão abrange um importante questionamento:
Caso a criação de uma vila olímpica fosse apenas um benefício para a população,a sua construção poderia deixar de interessar ao poder público constituído,ou seja;seria apenas de iteresse da comunidade local.Sabemos que há situações obscuras e jogo de interesses entre os seu “construtores”. Por isso eu pergunto:
É tão difícil seguir as determinações legais? Pra que se cria as leis, então? O que deve prevalecer nesse momento?
O dia em que as ações que visam o bem comum de fato e de direito forem respeitadas,poderemos aplaudir nossos governantes e a aplicação da verdadeira DEMOCARACIA.

Serginho do Cabral Pai
22/12/2011

agora ?

toda a área onde será construída a vila olimpica já foi desmatada é só olhar

Ana Luiza Wiezzer
26/12/2011

Pois é, mas dependendo do grupo que se formou abraçando a causa essa obra não continuará na APARU! Com a Ponta do Cabaceiro (antiga Marina) parada, um espaço maravilhoso para a dita obra, não podem desmatar uma área de preservação. Não tem lógica.
Allan, muito boa sua matéria e obrigada por ser mais um cidadão preocupado com esses absurdos que acontecem.

Myrian Stanchi
06/01/2012

É certamente um absurdo esta devastação,de um idealismo absurdo e pragmático o qual os nossos políticos vivem querendo impor para todos nós.

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